O novo ministro do Trabalho e a reforma trabalhista e sindical
Antônio Augusto de Queiroz
A troca de comando no Ministério do Trabalho
tem por objetivo assegurar a implementação das reformas trabalhista e sindical,
duas matérias de enorme complexidade e resistência entre os trabalhadores e
suas entidades de base.
O presidente considerou que o ministro Jaques
Wagner talvez não tivesse a firmeza suficiente para enfrentar e vencer as
resistências do movimento sindical às propostas de mudança nas relações de
trabalho e na estrutura sindical. Por isso, o designou para o Conselho de
Desenvolvimento Econômico e Social, cuja missão é organizar a sociedade civil
para contribuir no debate e na formulação de políticas públicas.
O ministro Ricardo Berzoini – que já enfrentou
a fúria dos servidores públicos e de suas entidades na reforma da Previdência
-- foi escolhido para o Ministério do Trabalho por seu pulso firme. Ele já foi
testado e, na ótica do Governo, foi leal e demonstrou firmeza na defesa da
implementação de políticas públicas impopulares. Além disso, goza de excelente
trânsito junto aos fundos de pensão que poderão ser decisivos no esforço de
geração de empregos e renda.
O PT foi o avalista dessa troca de comando,
depois que o presidente decidiu incluir o ministério da Previdência entre as
pastas que seriam comandadas pelo PMDB, exigindo de Lula que mantivesse
Berzoini no primeiro escalão do governo.
Para atender a essa exigência do partido, o
presidente precisou sacrificar o Ministro Cristóvam
Buarque, dando sua pasta ao Ministro Tarso Genro, que, por sua vez, abriu a
vaga de Secretário do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social para
acomodar Jacques Wagner.
Foi uma operação política das mais complexas e
com enorme risco de desgaste para o governo, especialmente junto aos membros do
Fórum Nacional do Trabalho, que estavam satisfeitos com a condução de Jacques
Wagner e sua equipe no Ministério do Trabalho. Mas falou mais alto a dúvida sobre a firmeza de Jacques e a pressão do
partido, que garantiu ao presidente que com Berzoini as reformas saem, com ou
sem acordo entre governo, trabalhadores e empresários.
O mote da reforma, a julgar pela escolha de
Berzoini para o Ministério do Trabalho, é produzir resultados, implementando as
políticas de governo, sendo elas impopulares ou não.
Antônio Augusto de Queiroz é jornalista, analista político e Diretor de documentação do DIAP.